sábado, 11 de maio de 2019

Capítulo I - A casa vazia


 Acordei no meio da madrugada, a ausência de luz era perceptível pelo fino fio que insistia em atravessar a janela. Nas paredes, amarelas como fotografias velhas, pendiam tensas e grossas cortinas, que se desvencilhavam da muralha de cimento com leves ondulações. A penumbra diminuía à medida em que o tempo avançava, implacável e inevitável, meu coração, em contrapartida, segue o oposto, o passar das horas traz frio e ocaso. A janela, de vidro inteiriço, transforma os ternos raios do Sol em formas desproporcionais. Acostumada com a transparência, a luz trava uma batalha com o visgo impregnado na estrutura, presentes do tempo.